Na grande tela do cinema os créditos já subiam, mas eu me mantinha ali, parada, intacta, como se tivesse tomado um choque. Os amigos já repercutiam as cenas, falavam de jogos de basquete, cursos de veterinária, e eu ali imóvel. A luz estava totalmente acessa e era possível ver que em muitos momentos meus olhos não suportaram e cederam a vontade de chorar.
“O Contador de histórias” não foi o primeiro filme escolhido no dia Nacional do Cinema brasileiro da rede Cinemark, onde conferi 5 filmes em um dia só, ele foi um dos últimos a serem citados, mas o primeiro no quesito fantástico.
Inspirado na história real de Roberto Carlos Ramos, ex-menino de rua que foi deixado pela mãe na FEBEM (havia um “conceito” bem diferente dos de hoje, porém já falido), o filme mostra as dificuldades que o garoto enfrentou até conseguir fazer o que mais gostava: contar histórias.
Assim como é mencionado no longa, Roberto recebeu um milagre, desses que não acontecem todos os dias, e após muitos traumas, foi morar com uma pedagoga francesa que o adotou e mostrou o mundo.
Acho que o final, inusitado, visto que “milagres não acontecem sempre”, principalmente por ser real, me deixou sem movimentos por alguns segundos. Tive que conter o choro ao lembrar que dos casos que eu ouvi, dentro da Fundação Casa de Itaquera-SP, não existia nenhum Roberto.
Segue o trailer do filme, que “Puta que lá merda” (expressão muito usada no longa) é simplesmente fantástico.













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