
“Alguns funcionários, pouco profissionais, descontavam seus problemas pessoais nos jovens, chegando a agredi-los." Relato José Pedro, 17 anos. Foto: Priscila Lopes
“Não posso deixar que você publique isso! Depois que eu sair, tudo bem, mas agora não posso me queimar com eles.” – diz José Pedro (nome fictício), após contar uma das cenas mais chocantes que ouvi durante os 6 meses de entrevistas dentro da Fundação Casa de Itaquera em 2008.
Tratava-se do relato de uma sessão de chutes, socos, tapas e agressões, sofridas pelo jovem, por 4 funcionários da unidade. Unidade esta vista como “MODELO”, ou seja, uma das melhores, com dois anos de existência sem nenhuma rebelião, com atendimento psicológico, aulas… E?
Para que não fosse prejudicado, já que José Pedro pretendia sair o mais rápido possível “daquele lugar”, pediu que eu colocasse a seguinte frase: “alguns funcionários, pouco profissionais, descontavam seus problemas pessoais nos jovens, chegando a agredi-los”. Maneira sutil de esconder as sessões de maus tratos e tortura.
Outros garotos também chegaram a me contar que, apesar das “regalias” de Itaquera, entenda-se um colchão para cada jovem, um cobertor, banho de sol diário por 6 horas com atividade física e assistir “Malhação”, desrespeitar as regras, ditas e não ditas, resultava em punições que iam muito além da privação de assistir televisão ou participar de uma aula de panificação.
Falavam de punições severas, muitas vezes sem sentido real, por nervosismo causado por problemas pessoais trazidos pelos funcionários, para dentro da unidade. “Salário de merda, mulher só reclama e você bandidinho me olhou estranho que eu percebi.” Pronto! Quer motivo maior do que um suposto olhar atravessado? Já está justificado o tapa na cara.
Se a Casa MODELO, que devia servir de exemplo, como o próprio nome diz, em menos de 3 anos já se encontra com funcionários cansados e descontentes, que extrapolavam suas frustrações agredindo jovens, o que podemos esperar de outras unidades? Tortura institucionalizada?













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