Esta semana tive o prazer de ouvir uma série de programas sobre o Sistema Prisional Feminino, trabalho este desenvolvido por dois alunos da PUC-SP, Rodrigo Borges Delfim e Alexandre Saconi.
Dividido em quatro partes, o trabalho consegue retratar de forma precisa e repleta de fontes, o Sistema Prisional, o cotidiano das presas, as iniciativas e as perspectivas. Irei pedir autorização dos jornalistas para publicar um dos programas neste WordPress.
Ouvindo os programas, eu que já havia escutado falar de Daslu e Daspu, me deparei com a Daspre, isso mesmo, Daspre. Uma grife criada, inicialmente como projeto, em 2008 e que já beneficiou mais de 200 presas das Penitenciárias Feminina de Santana, do Butantã e da Capital. Com intuito não é de apenas “ocupar a cabeça” das presas, mas também dar oportunidades, ensinar e tornar possível a concretização de sonhos, depois da passagem pela prisão.
Utilizando o slogan “Daspre, a grife que liberta”, porta-jóias, bolsas, caixas de costura, bijuterias e acessórios em geral são vendidos e revertem em beneficio de 80 reais para presas em regime fechado e salário de 315 reais, mais vale transporte e refeição, no caso de presas em regime semi-aberto. Em ambos os casos ocorrem à remição da pena, a cada três dias de trabalho, um dia da sentença é diminuído.
Agora aquela questão básica me vem à cabeça: “por que será que eu nunca ouvi falar da Daspre?”. A pauta não é “vendável”? Somente notícias negativas de cadeias e prisões interessam? Ou há também o descaso da sociedade? Coisas para se pensar neste final de ano…


Permissão concedida para publicar o que quiser dos programas no blog.
Vamos nos falando mais a respeito do tema e afins.
Abraço e Boas Festas,
Rodrigo
Sabe que a sua pergunta é uma questão que martela muito na minha cabeça? Eu penso, penso e penso e não consigo encontrar outra resposta que não seja “o ser humano adora uma desgraça”. É muito triste dizer isso, mas na mídia há muito mais tragédia do que alegrias. Vai entender o porquê.
Mas eu acho que cabe aos blogs (única parte da imprensa totalmente livre para se expressar) devem sim mostrar o que os outros preferem esconder e eu adoro o seu blog por causa disso. Você não trata os presos como números e bandidos, mas como seres humanos. Se todos fizessem isso, tratar o próximo como seu igual, tenho certeza que a desigualdade seria bem menor.
Enquanto isso não acontece, venho no seu blog lembrar que sempre tem alguém que dá voz a quem precisa.
Parabéns pelo texto!
Beijos