Muita gente me pergunta se eu tive “problemas” na hora de entrevistar os garotos da Fundação Casa de Itaquera… Não acho que tive problemas, mas sim resistência, comum, afinal, eu era uma mera estudante de jornalismo que estava indo visitá-los.
É claro que a receptividade não seria a de um churrasco, uma festa ou a mesa de um barzinho, mas tentei tornar o menos árduo possível o ato de contar suas histórias. Muitas vezes, senti que a cada conversa se abria um clarão na mente dos garotos, ou um abismo, já que a expressão “relembrar é viver” é sincera.
Não era fácil sentar em uma sala, na frente de uma garota (eu tinha 22 anos na época), e contar da vida. Não me conheciam, não eram meus amigos e, na mentalidade de alguns, eu não mudaria nada… Mas, eles mudaram muito em mim. A cada conversa, a cada lágrima, a cada riso ali dentro da pequena sala, havia uma mudança enorme dentro de mim.
Alguns, depois de dias e horas de gravação, ainda tinham o pé atrás, mentiram, revelaram, desmentiram… Outros, viam naqueles minutos, um momento para serem ouvidos… E no fundo, parecia mesmo que todos queriam apenas serem ouvidos, sem julgamentos, sem apontar o dedo, apenas serem ouvidos.
Espero ter feito a minha parte, porque eles, eles fizeram muito mais por mim.

Não é mesmo pra qualquer um(a).
Em compensação muda a nossa visão do coletivo para o indivíduo: pode haver sim esperança.
Estava com saudade dos serus posts.